O caso dos falantes obstinados em torno aos termos pejorativos de grupo. Entre a filosofia da linguagem e a epistemologia social
DOI:
https://doi.org/10.30972/nvt.2219234Palavras-chave:
Hablantes obstinados, Términos peyorativos de grupo, Semántica, Pragmática, Epistemología social, InjusticiaResumo
O artigo analisa o fenômeno dos “falantes obstinados” em relação ao uso de termos pejorativos de grupo, tomando como caso paradigmático a controvérsia em torno do termo “redskins”. A partir da proposta de Bolinger (2020), examina-se o desacordo entre aqueles que consideram que esses termos são ofensivos e aqueles que, ainda reconhecendo seu uso depreciativo em certos contextos, negam que o sejam em seu próprio uso. O trabalho reconstrói o debate acerca de se tal desacordo deve ser entendido em termos semânticos — como um erro na atribuição de significado — ou pragmáticos — como uma divergência no uso contextual da linguagem —, e expõe as dificuldades que enfrenta uma explicação puramente semântica.
Argumenta-se que, embora a crítica de Bolinger às abordagens semânticas seja sólida, sua conclusão — segundo a qual o caráter depreciativo desses termos não é semântico — é apressada. Nesse sentido, sustenta-se que o problema excede o âmbito estritamente linguístico e deve ser abordado também a partir da epistemologia social. Para esse fim, introduzem-se contribuições teóricas de José Medina sobre os vícios epistêmicos associados a posições de privilégio, como a arrogância, a preguiça e a mentalidade fechada, a fim de explicar a persistência desses desacordos.
O artigo propõe que a incompreensão do caráter ofensivo de certos termos não pode ser entendida apenas como uma disputa conceitual, mas como um fenômeno vinculado a desigualdades estruturais e à distribuição de poder nas práticas discursivas. Em consequência, defende-se que a análise dos termos pejorativos de grupo deve incorporar considerações ético-políticas, tais como a justiça nominativa e a responsabilidade significativa. Desse modo, conclui-se que o fenômeno dos falantes obstinados revela os limites das abordagens puramente linguísticas e a necessidade de uma abordagem interdisciplinar.
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